Quando alguém afirma que “o Candomblé nunca vai viralizar”, a ideia parece exagerada. Afinal, a religião tem ganhado cada vez mais visibilidade na música, no cinema, na literatura e nas redes sociais. No entanto, é inegável que existem barreiras históricas, sociais, éticas e midiáticas que dificultam sua difusão em formatos de consumo rápido — aqueles que dominam as plataformas digitais.

Grande parte dessas barreiras está ligada ao racismo estrutural, à estigmatização religiosa — muitas vezes alimentada por setores cristãos ao longo da história —, às escolhas internas de preservação da sacralidade e ao modo como os algoritmos privilegiam conteúdos padronizados e superficiais.

A seguir, uma análise detalhada dos principais fatores que explicam esse fenômeno.


1. Raiz histórica: colonialismo, cristianismo e criminalização cultural

Desde a colonização, práticas afro-brasileiras foram perseguidas, demonizadas e até criminalizadas pelo Estado. Essa repressão forjou uma memória coletiva marcada pelo medo, pela necessidade de dissimulação e pela perda de espaços públicos.

Até hoje, esse histórico se traduz em preconceito social, ataques morais e até legais contra praticantes. Muitos terreiros, por isso, evitam expor-se abertamente ou transformar ritos sagrados em conteúdo público.


2. Racismo estrutural e invisibilidade na mídia

A grande mídia sempre tratou as religiões de matriz africana de forma desigual: ora invisibilizando-as, ora exotizando-as. Quando aparecem, muitas vezes é através de estereótipos ou apropriações culturais.

Nas redes sociais, a lógica se repete: quem tem mais recursos, domínio de idiomas dominantes e narrativas já consolidadas tende a viralizar mais facilmente. O Candomblé, com sua profundidade e complexidade, encontra menos espaço nessa dinâmica.


3. O problema do “espetáculo” e a ética do sagrado

Rituais do Candomblé envolvem segredos, cantigas, objetos e práticas que não devem ser expostos indiscriminadamente. Transformar esses momentos em “conteúdo viral” não só pode desrespeitar a tradição, como colocar iniciados em risco.

Por isso, muitos líderes religiosos preferem preservar o sagrado em vez de transformá-lo em espetáculo — e essa escolha ética limita sua adaptação ao formato midiático rápido.


4. Estruturas internas e transmissão do conhecimento

O Candomblé se transmite de forma oral, comunitária e presencial, em rituais e vivências diretas. Esse tipo de aprendizado não se adapta bem ao consumo fragmentado das redes sociais.

Além disso, há uma preocupação legítima com a apropriação cultural: conteúdos replicados fora de contexto podem perder sentido e virar apenas “exotismo” ou paródia.


5. Algoritmos e o padrão do que “viraliza”

Nas plataformas digitais, viralizam conteúdos simples, repetíveis e visuais — coreografias, memes, desafios. O Candomblé, por sua natureza simbólica e profunda, dificilmente cabe nesse molde sem ser esvaziado.

Para complicar, políticas de moderação frequentemente restringem conteúdos de religiões afro-brasileiras, interpretando de forma errada oferendas, roupas rituais ou elementos simbólicos.


6. Perseguição moderna: intolerância e violência simbólica

Infelizmente, episódios de intolerância religiosa continuam a acontecer. Há ataques físicos, difamações virtuais e pressões sociais contra praticantes.

Muitos desses ataques vêm de setores que se dizem cristãos. Importante frisar: não é todo o cristianismo que persegue, mas grupos específicos que alimentam discursos de ódio ainda hoje reforçam essa hostilidade.


7. Caminhos para maior visibilidade legítima

Apesar dos obstáculos, existem avanços significativos. A arte, a literatura, o cinema e os movimentos antirracistas têm dado palco ao Candomblé com representações mais fiéis e respeitosas.

Além disso, a educação pública, a pesquisa acadêmica e uma imprensa responsável podem transformar a curiosidade em respeito. Nas redes, criadores que priorizam contexto, consentimento e protagonismo têm maior chance de gerar empatia e alcance sustentável.


Conclusão: entre resistência e visibilidade

O Candomblé não está condenado à invisibilidade. Sua presença cresce, mas não pelo caminho frívolo da “viralização” — e sim através de estratégias conscientes: educação, representação artística, proteção legal e fortalecimento comunitário.

O que dificulta sua difusão em massa não é falta de potência cultural ou espiritual, mas sim a soma de racismo histórico, perseguição religiosa, ética do sagrado e dinâmicas de mídia que privilegiam o superficial.

O futuro aponta para um crescimento consistente e respeitoso, em que o Candomblé conquista visibilidade sem perder aquilo que o torna sagrado: sua profundidade, ancestralidade e dignidade.

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Babalorixa Ricardo de Laalu.

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