Julio no telhado olhando para seu futuro.

Júlio estava sentado no topo do telhado de zinco da casa, os olhos fixos na paisagem urbana da Zona Sul paulista. Tinha 12 anos e já carregava o peso de uma vida que não lhe oferecia escolhas. Lá embaixo, sua mãe, Dona Marta uma mulher com muitas marcas de uma vida que sofreu muitas privações pois ainda menina foi trabalhar com os pais na roça no interior de Pernambuco, região uma árida e de pouca chuva, ainda adolescente foi sozinha morando no Rio de Janeiro e lá trabalhando em uma barraca na feira no centro da cidade conheceu Geraldo um rapaz de sorriso maroto, que não conhecia muito mas tinha as mãos rápidas para furtas as carteiras das “donas”, logo começou a namorar e quando ele quase morreu porque Furtou um “Dona Estranhamente” fugiram juntos para São Paulo e se reuniram assim com sua família, reunidos para os irmãos ajudando com o almoço, mas ele preferia ficar ali, perdido em pensamentos e observando a vida na quebrada.

Era Marcos, o irmão mais velho, quem trazia o sustento para a casa, alto, sempre com uma jaqueta de couro preta e uma corrente de ouro no pescoço, Marcos era conhecido e temido. Aos 17, ele já era um “gerente” no tráfico local, cuidando das bocas e coordenando os menores que trabalhavam para ele. Júlio o admirava e o temia. Via em Marcos a coragem e a força que ele próprio ansiava.

Um dia, na volta da escola, Júlio e Tiago, o terceiro irmão e seu parceiro nas aventuras mais perigosas, se depararam com um grupo de jovens mais velhos na esquina. Era Raul, um “discípulo” de Marcos, sempre com um cigarro na boca e uma risada sarcástica. Raul olhou para Júlio com curiosidade e o chamou para perto.

— E aí, moleque, quer ganhar uma troca fácil? — disse Raul, lançando um pacote de erva na mão do Tiago.

Tiago hesitou, mas Júlio pegou o pacote sem pensar. Raul sinceramente, satisfeito.

— Não vai demorar muito, mas se a polícia aparecer, alguma coisa, entendeu?

Ali, Júlio teve seu primeiro contato direto com o crime. Naquela noite, enquanto a mãe dormia e os irmãos mais novos já estavam desligados, ele guardou o dinheiro no sapato velho debaixo da cama, experimentando pela primeira vez a sensação do “poder” que o dinheiro e a cumplicidade traziam.

 

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