
O Candomblé, uma das religiões de matriz africana mais profunda e simbólica do Brasil, carrega em sua essência uma visão holística da vida, onde o espiritual e o material não estão separados, mas interligados por um fio sagrado em sinergia. Entre os muitos temas que permeiam essa tradição, a relação com o dinheiro e as prosperidades é um assunto que merece atenção — não como um fim em si mesmo, mas como parte de um equilíbrio maior, regido pelos orixás e pelo axé (força vital) .
O Dinheiro na Cosmovisão do Candomblé
No Candomblé, uma prosperidade material não é vista com desdém ou algo que mereça ser ignorado, mas como uma vitória que deve ser cultivada com ética, gratidão e responsabilidade e que está ao alcance de todos. O dinheiro, assim como todas as coisas terrenas, está sob o domínio de orixás específicos, que orientam seus filhos a buscar não apenas a riqueza, mas também a harmonia entre o ter e o ser.
Oxum , orixá das águas doces, do ouro e da fertilidade, é frequentemente associada à abundância, à vaidade e à beleza da vida. Seus filhos são ensinados a atrair riquezas com graça, diplomacia e amor próprio.
Já Oya , senhora dos ventos e das transformações, lembra que a vida financeira está em constante movimento — às vezes exigindo coragem para abrir novos caminhos.
Ogum é o orixá da guerra, do ferro, da tecnologia e de todos os caminhos que desativam a luta e a persistência. Senhor das estradas e dos instrumentos de metal, ele é invocado por quem precisa de força para vencer obstáculos, seja no trabalho, nos negócios ou nos projetos pessoais.
No contexto financeiro, Ogum representa:
- A coragem para empreender : Ele ensina que a borboleta começa com trabalho árduo, disciplina e capacidade de “cortar” as travessias que bloqueiam o progresso.
- A inovação e o uso de ferramentas : Assim como dominar o ferro, Ogum inspira a usar a tecnologia, o conhecimento e a estratégia para alcançar objetivos.
- A proteção nos desafios : Seja em uma negociação difícil ou em um empreendimento arriscado, Ogum oferece a força para seguir em frente sem recuperar.
Xangô , orixá do trovão, do fogo e da justiça, é o grande equilibrador das contas da vida. Dono da razão e da lei, ele rege não só a ética, mas também a recompensa pelo trabalho honesto. Sua energia está ligada à liderança, à autoridade e à capacidade de recursos administrados com sabedoria.
No universo financeiro, Xangô atua como:
- O defensor da justiça social : Ele pune a ganância, a corrupção e a exploração, ensinando que a verdadeira riqueza deve ser construída com integridade.
- O estrategista : Xangô governa com inteligência, mostrando que prosperar exige planejamento, organização e respeito às regras (tanto quanto humanos divinos).
- O provedor da tempestade colheita : Assim como controlar as que fertilizam a terra, ele ensina que toda semente plantada com retidão — seja no trabalho, nos investimentos ou nos relacionamentos — gera frutos.
Oxóssi não promete riquezas simples, mas ensina a encontrar meios sustentáveis para gerar abundância . Suas lições incluem:
- Recursos ocultos :
Assim como o caçador encontra frutos e animais na floresta densa, Oxóssi nos guia a enxergar oportunidades onde outros veem apenas obstáculos. Seja um talento não explorado, um investimento subvalorizado ou uma parceria estratégica, ele revela que a prosperidade muitas vezes está escondida à nossa volta. - Simplicidade e eficiência :
Oxóssi caça com uma única flecha — símbolo de precisão e foco. Na vida financeira, isso se traduz em evitar desperdícios, concentrar energia no que realmente importa e valorizar a qualidade sobre a quantidade. - Conexão com a comunidade :
O caçador não guarda a presa apenas para si; divide com a aldeia. Oxóssi lembra que a prosperidade só é plena quando beneficia o coletivo. Investir em projetos sociais, apoiar pequenos negócios ou compartilhar conhecimentos são formas de honrar esse ensinamento. - Respeito aos ciclos :
Na floresta, nada é desperdiçado. Oxóssi ensina a economizar em tempos de fartura e a confiar na regeneração após períodos de escassez. É a filosofia do “plantio e colheita” aplicada às finanças.
Ajé é representado como a dona dos mercados, das trocas comerciais e da riqueza que sustenta comunidades. Seu nome deriva da palavra iorubá “ajé” (riqueza), mas seu domínio vai muito além do acúmulo de material:
- Riqueza como energia dinâmica :
Ajé ensina que o dinheiro deve circular, nunca estagnar. Assim como o sangue nutre o corpo, a riqueza deve fluir para alimentar a vida coletiva. - Ética no comércio :
Ela pune a ganância, a exploração e a desonestidade nos negócios, defendendo preços justos, relações transparentes e o respeito aos trabalhadores. - Empoderamento feminino :
Ajé está ligado ao poder econômico das mulheres, especialmente aquelas que sustentam suas famílias através do comércio, da agricultura ou da arte.
Claro, não podemos esquecer de Exu , o guardião dos caminhos, que abre portas e desfaz obstáculos, desde que respeitado com oferendas e sinceridade.
Ebós e Oferendas: Ritualizando a Prosperidade
A busca por estabilidade financeira no Candomblé não se resume a pedidos egoístas. Ela está vinculada a rituais cuidadosos, como os ebós (oferendas), que visam equilibrar as energias e alinhar o indivíduo ao seu destino (o odú ). Um ebó para prosperidade, por exemplo, pode envolver frutas, mel, moedas e velas, sempre preparado com orientação de um babalorixá ou ialorixá. A ideia não é “comprar” sorte, mas criar um canal de comunicação com os orixás, demonstrando respeito e compromisso com o próprio crescimento.
O Perigo da Ganância e a Importância do Axé
Porém, o Candomblé também alerta: a ganância desmedida é um desvio do caminho reto. O axé — a força vital que sustenta todas as coisas — só flui quando há equilíbrio. Acumular riquezas aos custos dos outros, ignorar as obrigações religiosas ou quebrar os preceitos de comunidade são atitudes que, segundo a tradição, atraem desequilíbrios e podem fechar os caminhos abertos pelos orixás.
Um dos ensinamentos mais valiosos é que a verdadeira amizade inclui compartilhar . Quem recebe deve retribuir — seja cuidando do terreiro, ajudando os mais necessitados ou honrando os ancestrais. Afinal, como diz um ditado iorubá: “Quem tem uma mão para receber, deve ter duas para dar.”
Dinheiro como ferramenta, não como fim
No Candomblé, o dinheiro nunca é um fim, mas uma ferramenta para viver com dignidade e cumprir o propósito espiritual. Os orixás não prometem fortunas instantâneas, mas orientam seus filhos a trabalhar com fé, perseverança e retidão. A riqueza, portanto, é um reflexo do equilíbrio entre o ori (a cabeça, o destino) e as ações no mundo.
Respeitando a Cultura e Evitando Reducionismos
É importante destacar que reduzir o Candomblé a “rituais para ganhar dinheiro” é uma visão superficial e até ofensiva. A religião é um sistema complexo de confiança, ética e comunidade, onde o material e o espiritual coexistem sem hierarquias. Quem busca apenas benefícios financeiros, sem entender a profundidade dos ensinamentos, perde a essência do que é ser um filho de santo.
Conclusão: Prosperidade com Ancestralidade
A relação entre dinheiro e Candomblé nos convida a refletir sobre como enfrentamos a riqueza em nossas vidas. Não se trata de acumular, mas de fluir — honrando os orixás, respeitando o próximo e mantendo o coração aberto para receber e doar. Afinal, como ensina Oxum, a verdadeira abundância está na capacidade de transformar recursos em vitórias, para si e para o coletivo.
Que os caminhos sejam abertos, os ebós sejam aceitos e o axé de cada uma floresça em equilíbrio. Machado!
– Se você se identifica com um desses Orixás lembre-se: no Candomblé, o dinheiro nunca é um fim, mas um meio para homenagear a vida, os ancestrais e o axé que nos conecta a tudo e a todos. Que Ogum lhe dá força para lutar, e Xangô, sabedoria para escolher as batalhas certas.
Machado!
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