UnB Notícias - Cinema no Museu apresenta Jardim das Folhas Sagradas

No Caminho das Folhas

Em uma manhã silenciosa e nublada, Vando vestido com suas roupas brancas de ração, caminhava pelas ruas de terra e estreitas de seu bairro em Parelheiros, zona Sul de São Paulo. O vento carregava o aroma das folhas sagradas que ele trazia em uma sacola de tecido. Era um dia importante, pois ele se preparava para um ritual no terreiro de sua Mãe de Santo, Ya Celina, onde celebrariam o orixá da caça e fartura, Oxóssi, o caçador que guia os passos de Vando desde sua iniciação no Candomblé.

Enquanto segue sua trajetória, Vando sente olhares pesados ​​sobre si. As ruas que antes eram acolhedoras agora transmitiam uma sensação de hostilidade. Uma vizinha fechou a janela ao vê-lo passar. Dois homens na esquina cochichavam, lançando risadas abafadas e olhares que ecoavam como um julgamento.

Vando cresceu em uma comunidade onde a fé predominante não era sua. Desde criança, ouvia histórias distorcidas sobre o Candomblé, que o pintava como algo sombrio e perigos. Que os adeptos do Candomblé adoraram os demônios e que fizeram feitiços (macumba) para as pessoas. Quando decidiu iniciar na religião, sabia que enfrentaria preconceitos, mas não imaginava a intensidade da perseguição que viria.

Ao chegar ao terreiro, foi recebido pelos seus irmãos de santo. O terreiro, com suas paredes decoradas com pinturas coloridas e símbolos sagrados, era um refúgio onde Vando se sentia seguro. Lá, os tambores vibravam como o coração pulsante da tradição, e a voz de Ya Celina era como um abraço materno.

— Vando, meu filho, como está hoje?

Perguntou Ya Celina, percebendo a expressão tensa no rosto dele.

— Estou bem, mãe, mas sinto que as coisas lá fora estão piorando. As pessoas nos olham como se fôssemos criminosos.

Ela veio com um olhar compreensivo.

— Orixá nunca abandonou seus filhos, mas precisa estar preparado. A intolerância religiosa cresce onde falta amor e conhecimento. Hoje vamos pedir força a Oxóssi para enfrentarmos o que vier.

Quando o ritual começou, o terreiro ganhou vida. Os atabaques entoaram cânticos que conversaram diretamente com os orixás. Vando sentindo o axé fluir pelo seu corpo, uma energia poderosa que o conectava a algo muito maior que ele mesmo. Pela primeira vez naquele dia, sinta-me em paz.

Contudo, a paz que Vando sentiu não durou muito. Naquela noite, enquanto caminhava de volta para casa, foi surpreendido por três homens à espreita na esquina de sua rua. Seus rostos estavam contorcidos em expressões de ódio.

— Então, é você que está invocando demônios em nossa rua? — Disse um deles, com desdém evidente na voz.

Vando tentou manter a calma, apesar do medo crescente.

— Eu só sigo minha fé, meu irmão. Não quero mal a ninguém.

— Fé? Isso que você faz não é fé! Vocês adoram um monte de demônios e ficam fazendo macumba para os outros se lascarem. Aqui não tem espaço pra isso não.

O homem trajado sua camiseta, revelando o cabo de uma arma. Antes que Vando pudesse responder, foi empurrado contra a parede. A sacola que carregava caiu no chão, espalhando as folhas que ele guardava com tanto cuidado. Os homens riram, pisando nelas como se fossem lixo.

A humilhação queimou no peito de Vando, mas ele sabia que reviver só pioraria as coisas. Em vez disso, obrigações a cabeça com firmeza e disse:

— Oxóssi me deu força para enfrentar caçadas difíceis. Vocês não vão me quebrar.

As palavras simplesmente desarmá-las momentaneamente, mas a tensão ainda pairava no ar. Felizmente, o som de passos apressados​​iniciou o confronto. Era Ya Celina, que vinha ao encontro de Vando ao perceber sua demora. Ela não disse nada, mas sua carregava presença uma autoridade silenciosa. Os agressores se afastaram, murmurando insultos enquanto desapareciam na escuridão.

— Meu filho, você está bem? — Perguntou Ya Celina, ajudando-o a coletar as folhas espalhadas.

— Estou, mãe. Mas dói ver como nos tratamos. Será que um dia isso vai mudar?

Ela segurou suas mãos com força e respondeu com verdade:

— Vai mudar Vando. Cada vez que resistimos, mostramos que nossa fé é maior do que o ódio deles. Oxóssi caminha ao seu lado. Não desista.

Naquela noite, Vando não conseguiu dormir. As palavras dos agressores ecoavam em sua mente, mas também a voz reconfortante de Ya Celina. Ele sabia que sua luta não era só por si mesmo, mas por todos os que vieram antes e os que vieram depois.

No dia seguinte, voltou ao terreiro com a mesma sacola, agora cheia de novas folhas. Quando os tambores voltaram a tocar novamente, Vando sentiu o peso de sua missão. Ele não era apenas um adepto do Candomblé, mas um símbolo de resistência. Em seu peito, carregava a força de Oxóssi e a certeza de que, mesmo diante das adversidades, sua fé permaneceria inabalável.

Autor – Dofono de Laalu

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